quinta-feira, 24 de março de 2011

Helena

Era uma noite aparentemente normal. Ela me ligou entre soluços e lagrimas:
- Acabou. Desabafou em uma só palavra.
Eu, assustada, não me fiz de desentendida, e por mais que não entendesse o que era , sabia que o fato de qualquer coisa que gerou tantas lagrimas ter acabado era um bom motivo pra me despertar e retrucar , sem mais perguntas:
- Estou indo aí, você vem pra minha casa.
E foi esse meu feito. Num primeiro instante, em seu estampava um controle, uma calma e uma segurança assustadora, que me fazia ficar ainda mais apreensiva, me fazia  temer ainda mais antes de perguntar o que havia acabado.
Instantes depois, descobrir o motivo pra tanto, eram seus sonhos que haviam desmoronado, sua vida que havia revirado, eram 7 intensos anos de namoro que havia se diluído com o tempo. E apenas com um olhar, sem palavra alguma ela desmoronou em lágrimas. Lágrimas que destruía qualquer um que procurasse entender o que fazia uma mulher tão forte, tão segura , desmoronar de tal forma , e entre tantas lágrimas uma pergunta percorria cada centímetro da minha sala. Por quê?
- Por que ele fez isso comigo?
- Por que depois de tanto tempo?
- Por que dessa forma?
Essas perguntas também pairavam sobrem a minha mente. Mais ali, as minhas perguntas eram desnecessárias, eu precisava de respostas, uma ao menos, para que eu pudesse explicar-lhe, que tudo tem hora pra começar e principalmente terminar. Mais não me vinham as palavras  certas, parecia até que elas estavam fugindo de mim, mais falei, em um golpe certeiro , arrisquei:
- A vida é assim, por mais indigesto que seja temos que aceitar. Todo começo tem um fim.
As lagrimas ainda rolaram por horas, mais a calma chegou e a ficha caiu – um grande amor havia acabado ali. Uma grande história parecia ter chegado ao fim.
Não. A sua historia  não chegou ao fim. Ontem, ela tinha, eu tinha, todos nós tínhamos certeza que ela jamais se levantaria novamente, que seus sonhos e esperanças tinham acabado. Ela jamais acreditaria novamente no amor. Quem dirá no mesmo amor. Sim, aquele amor que ontem a destruiu de uma forma desoladora, hoje, faz ela acreditar no amanhã.
Devolveu a ela o sorriso e as forças que em uma única noite haviam sumido, haviam sido destruídos por um ponto, que nem chegava a ser um ponto final, era somente uma breve pausa para continuação.
O amor é assim, morre, mais como toda fogueira sempre existe uma brasa que reacende quando desesperadamente a gente assopra com todo cuidado.
(Elline Fortaleza)

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